quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sobre feridas que nunca cicatrizam.



Minha voz desaparece, a respiração... que respiração? Por acaso eu ainda estou viva? Depois de tudo outra vez. A camisa que um dia eu marquei de batom, o perfume que ficava em mim, o jeito desleixado e a expressão séria. Seus cabelo estão mais compridos, é verdade, como nas suas fotos antigas que tanto me faziam rir. 

Mas o que diabos eu estou fazendo? 

Pensando em você. Escrevendo sobre você. Outra vez você. Outra vez essa maldita dor e esse choro que me deixa engasgada, sem saber o que fazer. Cinco, dez segundos. O bastante para reavivar as feridas no meu coração, que eu deixei sangrando por tanto tempo tentando não notar. E eu tentei tanto...

Outra pessoa, outro gole de bebida, outro comprimido pra não me deixar pensar. Em você.

Logo você que me tratou como um nada, que me fez sentir sozinha estando acompanhada,  você que me fez feliz como ninguém e agora me faz triste como apenas Ela fez. Ah.... e Ela me fez tão triste. Me fez sentir o gosto dessa tristeza amarga que me tira a fome, o sono e o sorriso do rosto. Me tira do chão e me lança num abismo, eu nem sei bem se é um abismo, eu só sinto que estou caindo num lugar de onde é difícil sair. Mas eu vou sair, se eu saí quando ela me levou até esse mesmo lugar, com você não vai ser diferente. Aliás, vai sim. Com você eu não vou cair tão fundo, talvez, eu nem mesmo caia. Talvez eu só chegue até a beira do abismo, olhe para baixo e me lembre do quão difícil foi sair de lá. Levou tempo, muito tempo. E é isso que me salva de toda essa dor.

O tempo. Que cura tudo. Ou te fazer esquecer dessas feridas que nunca cicatrizam.

Ah... essas feridas que nunca cicatrizam.