quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Agora eu entendo.


- As pontas dos meus dedos...
- Que foi?
- Estão congelando. Meu corpo inteiro está frio. 
- Você está bem?
- Sim. É só medo. É só meu coração sentindo sua falta só de pensar em te perder. Essa sensação que eu tenho agora, é um décimo do que eu sentiria se te perdesse. Eu não suportaria sua ausência. E de tanto pensar em te perder acabei me fazendo ausente. Me desculpa por isso.
- Está tudo bem amor.
- Não, não está. Eu sei bem como é isso, se sentir sozinho estando acompanhado. Eu sei como dói. E caramba, eu nunca pensei em te causar dor. Eu abriria mão de tudo só pra te ver sorrir agora. Por favor, para tudo e abre aquele teu sorriso lindo, não esquece de ao mesmo tempo, fechar os olhos. 
- (Silêncio, ela está sorrindo).
- Eu te amo. Por favor não esquece. E não me deixa esquecer de te dizer isso todos os dias, todas as horas, sempre. Porque não há um dia, uma hora em que eu não pense em você. Eu só... Caramba, eu pareceria maluca se te dissesse o quanto eu penso em você. Seria impossível realizar todos os planos que já fiz pra nós. Eu queria poder olhar nos seus olhos agora. Te abraçar. Te beijar. Passar o resto da noite do seu lado ouvindo a minha música preferida: sua respiração. Eu queria te mandar rosas agora. Um caminhão de rosas pra compensar todas as vezes em que você se sentiu sozinha, eu que eu deveria estar do seu lado e não estava. E eu sei lá do que diabos você sente falta, mas se eu posso te dar, me fala. Por você eu posso, eu prometo que não deixo faltar nada.
- Amor?
- O que foi?
- Está tudo bem. Mesmo. 
- Estou parecendo maluca né?
- Sim.
- Eu amo você tá?
- Tá. Agora vai dormir.
- Não dá. Agora estou imaginando aquele teu sorriso...
- Eu te amo também tá?
- Tá.

Ela coloca o telefone no gancho. Não há ninguém do outro lado da linha. Nunca houve. Francesca provavelmente adormecera há horas, pensando em como seria bom receber uma ligação.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Rotina

Todos os dias me dá um medo danado de que você seja igual a todo mundo.
Todo mundo sempre me deixa.
Todos os dias você me prova que é diferente.
Obrigada por isso, por me provar que é possível duas pessoas estarem juntas, sem se deixarem.
Mas não me deixa não, porque eu tenho um medo danado de... Ah, você sabe.
Só não me deixa.
Porque eu tenho um medo danado.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Carta de não-amor


Escrevo essa carta em meu quarto, especificamente em minha cama. São 1:29 da manhã, estamos no horário de verão. Faz calor. Eu não queria você aqui agora.

Está aí uma coisa que eu gosto nas madrugadas passadas em claro, a solidão. Já parou pra ouvir o som que a noite faz quando está tudo em silêncio? Uma espécie de eco, um assovio distante. É a voz da solidão. Quero dizer, a voz da solidão boa, porque a solidão ruim grita, um grito que vem de dentro da gente e por isso não adianta tapar os ouvidos. Gosto da solidão assim, assoviando distante, como agora.

Você pelo jeito adormeceu entre uma mensagem e outra. 
-Estou sem sono - você disse.
-Vem pra cá,  eu faço você adormecer no meu colo.
Mentiras. Foram poucas as que você me contou. Engraçado, mas as vezes eu gostaria que você mentisse mais pra mim. Suas verdades doem mas se me perguntarem o que eu mais gosto em você, vou responder sem pensar:
-Ela nunca diz que me ama.

Está aí uma verdade que eu adoro ouvir. Aliás, uma mentira que eu adoro não ouvir. Um "Eu Te Amo" vindo de você me daria náuseas. Para alguém livre como você, o amor não passaria de uma gaiola e eu gosto de te ver voar. Aliás, aqui vai uma declaração de (não)amor:
-Eu não te amo!
Eu poderia gritar isso, sorrindo, como louca. Eu adoro estar com você, adoro seu sorriso, seu cabelo, o brilho dos seus olhos, sua voz e seu jeito de falar, seu beijo, sua cor da pele, seu cheiro. Você me faz bem, me arranca sorrisos e invade os meus sonhos. E eu não te amo! 
A coisa é que amor pra mim sempre veio cheio de muita dor e você só me arranca sorrisos, até mesmo quando age como uma completa canalha. Acho que por isso não te amo, não existe dor quando estou com você.

Ou talvez eu esteja enganada nessa de achando que sofrer é amar demais e se for assim, se houver amor sem dor... 
Eu amo você.
É, eu amo você pra caralho.
E eu quero você aqui agora
(Pra calar os gritos da solidão ruim)

domingo, 6 de outubro de 2013

Todo(a) o(a) amor(dor) do mundo


-Francesca.
- Oi.
- Eu não sei o que te dizer.
- E agora?
E agora?
- Você parecia diferente mas é igual a todo mundo.
- Todo mundo... como assim?
- Todo mundo sempre vai embora. Estou cansada de perder as pessoas.
- Você não precisa me perder.
- Você é quem está me perdendo.
- É. Só eu estou perdendo aqui, pode ter certeza.
- E eu tenho, não há como perder o que nunca foi meu. Você nunca vai ser não é?
- O que?
- Minha. Nunca vai ser minha.
Ela fica em silêncio. Eu arrumo seu cabelo, a mesma mecha sempre insiste em cair sobre os olhos dela. Olhos rasos nos quais eu sempre me afogo.
- Eu gosto de você.
- E corre pros braços de outra?
- Eu não queria ter feito isso.
- Mas fez.
Ela faz muitas coisas sem querer. Como essa coisa de sorrir e fechar os olhos ao mesmo tempo.
- Mas foi sem pensar.
- O problema não é o que você pensa, é o que você sente.
Ela suspira.
- O que você sente? Por mim. 
- Eu gosto de você, se não gostasse não estaria aqui.
- E eu? Eu estaria? Porra Francesca, eu tenho minha droga de orgulho...
- E eu também, Cass!
Ela vira as costas. Se esconde entre os braços. Há lágrimas nos olhos dela. 
- Ei, para com isso...
Ela olha pra mim, tão perto, enxugando as lágrimas - pouco importa se são falsas. 
- Me dá um abraço.
Meu coração volta a bater normalmente, sinto o ar fluir. 
- Mas que droga Francesca, nunca mais faça isso, nunca. 
Ela não me solta. 
- Eu tenho medo de te deixar ir.
- Eu também, deixar você ir e então você fazer o que fez hoje.
-Não vou fazer outra vez, prometo.
-Promete?
-Sim.
-É bom mesmo.
Ela sorri. Eu sorrio.
- Sabe que eu sempre quis conhecer sua mãe?
- Seria engraçado.
- Eu tenho medo do que eu sinto por você.
- Porque?
- É aquilo que eu te disse, sobre o tempo. Hoje você está aqui, mas... e em fevereiro, você vai estar?
- Tem coisas que o tempo não leva. Me faz ser uma dessas coisas.
- Você tem medo?
- O medo faz a gente ter cuidado.
- Eu não queria te perder.
- Então cuida de mim.






sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Cotidiano


Venta muito. Mulheres seguram suas saias esvoaçantes. Sacolinhas serpenteiam no asfalto. Alguém cantarola uma música antiga, melancolia pura, em um tom manso. Pedestres reclamam da dona de casa que lava a varanda, mandando uma enxurrada de água abaixo. O vizinho assiste um seriado antigo, sabe de cor o que vai acontecer em cada santo episódio, mas ri contente - é a única hora do dia em que há tempo pra esse tipo de coisa.

Venta muito. Cass segura o pincel trêmula, sempre preferiu pintar apenas com os dedos. Um borrão vermelho se forma na tela. Seu cachorro passa por ela, abanando o rabo. O passarinho canta de dentro da gaiola - que tem sempre a porta aberta, mas ele se recusa a sair. O celular toca.
- Estou na porta.
- Está brincando né?
- Vem ver.
Assim de repente? Sem aviso? Vir sem avisar e ir da mesma maneira. Cass já vira esse filme antes, Nina - que na última vez que se fora levara com ela um pedaço (ou seria todo ele?) do coração de Cass - costumava fazer isso. Cass se dava ao direito de permitir esse hábito apenas a ela e ninguém mais. Agora essa ligação - não era injustificado o pavor de Cass por falar ao telefone. Foi ver.

Seria perca de tempo e absolutamente inútil comparar a beleza de Nina com a dele, o sorriso, o perfume e qualquer outra maldita coisa que havia em Nina e não se encontrava em ninguém mais. Mas ele se encontrava lá, com aquele olhar faminto, aquelas mãos rudes, os lábios indelicados. Cass forçou um sorriso. Dessa vez ela seria como Nina. Iria embora sem aviso. Sem dor também. Cass aprendera com Nina a ser criatura livre, que não se prende a nada nem a ninguém, não pertence nem a si mesma, só quer sorrir e sorrir e amar, amar, amar e amar. Nina sempre amava, as vezes um, dois dias, raras exceções duravam um pouco mais de tempo. Depois se esvaia. Ela e o amor. Deixando de lembrança apenas seu perfume.
- Não posso com nada que me prenda.

(Escrito antigo que encontrei por aí, na época me pareceu ruim, mas até que agora faz sentido.)


A Felicidade é como um flash

Aparece quando tudo está escuro. Te cega. Acaba.
A felicidade sempre acaba. Tudo sempre acaba.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

I am yours (are you mine?)


Chove. Engraçado como as minhas palavras fluem quando chove. Penso em como seria bom ter você aqui. Você me diz que é mais fácil escrever do que falar. Concordo. Tem umas coisas que eu queria te escrever.

Tua boca
cigarro-bala-bebida
Tua pele
quente de encontro com a minha
Tua tatuagem
eu nunca li (mas acho linda)
Tua voz
rouca e lenta (me arrepia)

Teu cabelo
embaraça nos meus dedos
Teu cigarro
todo tempo sempre acesso 

Teu sorriso - uma estrofe especial
teus olhos se fecham
os lábios se encontram
o raro momento em que não quero beijá-la (pra não interromper)
um sorriso assim devia ser eterno

Teu, tua
Eu sou tua
Nem seu 
Nem sua
Minha
Você é minha (?)



domingo, 21 de julho de 2013

Contaminação


Confusa eu sou só uma criança procurando
qualquer forma de amor em
qualquer lugar.

O amor é uma praga. 

Dor, dor, dor.
Alguém me observa
enquanto
meus sonhos estão sendo sugados.
Eu sou só uma criança cheia de dor.
Eu tenho a praga.

Segure minha mão
compartilhe comigo tudo isso
eu quero tirar tudo daqui. 
Qualquer coisa que me faça esquecer
eu nem se quer me lembro o que.
Gritos, garras
há um monstro no armário. 
Erros, erros
ninguém quer me acobertar
 Eu sou só uma criança assustada. 
Eu tenho a dor.

Gritos.
Eu estou enlouquecendo outra vez.
Branco, preto, muito brilho
há vozes na minha cabeça
e elas gritam

Eu sou a praga
Eu sou.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Um escrito sem fim para um (re)começo



Está escuro aqui. Já passa da meia noite. Exatos trinta e dois minutos. O espelho reflete a luz da lua. Tem luz nas pontas dos meus dedos. Tem luz em cada palavra que escrevo. Tem resquício de chuva lá fora. As folhas do ipê caem. Todo ano é assim: tão-bonito-tão-rápido. E eu sempre fico querendo tirar uma foto, mas essa imagem eu tenho na lembrança. Há dezessete anos que as flores caem no meu telhado. 
Está cheio de silêncio aqui. Bem que essa chuva podia cair mais forte. O vento podia assoviar.

Porque é que o vento assovia hein? 
Porque é que a gente resolve escrever no meio da noite depois de tanto tempo passados exatos cinquenta e dois minutos da meia noite numa noite chuvosa e escura onde nem o vento se atreve a fazer barulho?

Eu sei lá...

O vento continua assoviando eu continuo escrevendo e pensando em como é que você leitor vai enfrentar toda essa falta de vírgulas nesse meu escrito tão sem sentido tão sem mensagem tão escrito-de-noite-chuvosa-silenciosa-sem-vento-sem-porquê.
A questão das vírgulas eu explico: deixei de lado o meio termo. Ou acabo ou continuo e desse jeito decidi ou é ponto final ou é escrever desse jeito engraçado até achar que é a hora de acabar (e ir colocando uns parênteses no meio de tudo porque todo mundo tem direito a mudar de ideia). Acho que é a hora de acabar. Só queria dizer que eu voltei e dessa vez é pra continuar (e sem ponto final por enquanto)


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sobre feridas que nunca cicatrizam.



Minha voz desaparece, a respiração... que respiração? Por acaso eu ainda estou viva? Depois de tudo outra vez. A camisa que um dia eu marquei de batom, o perfume que ficava em mim, o jeito desleixado e a expressão séria. Seus cabelo estão mais compridos, é verdade, como nas suas fotos antigas que tanto me faziam rir. 

Mas o que diabos eu estou fazendo? 

Pensando em você. Escrevendo sobre você. Outra vez você. Outra vez essa maldita dor e esse choro que me deixa engasgada, sem saber o que fazer. Cinco, dez segundos. O bastante para reavivar as feridas no meu coração, que eu deixei sangrando por tanto tempo tentando não notar. E eu tentei tanto...

Outra pessoa, outro gole de bebida, outro comprimido pra não me deixar pensar. Em você.

Logo você que me tratou como um nada, que me fez sentir sozinha estando acompanhada,  você que me fez feliz como ninguém e agora me faz triste como apenas Ela fez. Ah.... e Ela me fez tão triste. Me fez sentir o gosto dessa tristeza amarga que me tira a fome, o sono e o sorriso do rosto. Me tira do chão e me lança num abismo, eu nem sei bem se é um abismo, eu só sinto que estou caindo num lugar de onde é difícil sair. Mas eu vou sair, se eu saí quando ela me levou até esse mesmo lugar, com você não vai ser diferente. Aliás, vai sim. Com você eu não vou cair tão fundo, talvez, eu nem mesmo caia. Talvez eu só chegue até a beira do abismo, olhe para baixo e me lembre do quão difícil foi sair de lá. Levou tempo, muito tempo. E é isso que me salva de toda essa dor.

O tempo. Que cura tudo. Ou te fazer esquecer dessas feridas que nunca cicatrizam.

Ah... essas feridas que nunca cicatrizam.