quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A menina queria ser Nina, mas a Nina não era ninguém.



-Nina?
-Oi.
-Será que você não pode me ensinar?
-O que minha querida? Ensinar o que?
-Como ser assim, tão bonita.
-E eu lá posso lhe ensinar isso? Nem de longe eu sou bonita.
-É sim, é muito, você sabe, só está tentando não me machucar.
-E isso lá tem jeito, não magoar você? Você sempre se magoa menina.
-É.
(silêncio)
-Nina?
-Oi.
-A coisa é que eu quero ser como você.
(Nina não entende, mais silêncio.)
-Nina.
-Oi menina!
-Eu quero poder ver meus ossos, bem marcados por baixo da pele, assim como os seus.
-Deus... Vai me dizer que tu achas isso bonito?
-Acho não.
-Que bom.
-Acho é lindo.
-Para com isso!
-Me diz logo Nina!
-Mas dizer o que?
-Como ser assim oras! 
-Não vou, nem posso, Deus me livre de te ver assim.
-Então deixa que eu descubro sozinha, tô tentando faz tempo sabe Nina?
-Hm...
-Ser assim não dói né Nina? Deve ser bom demais...
-Bom mesmo deve ser como você. É linda menina, linda...
-Para de querer me poupar da verdade.
-Mas tu és bonita sim!
-Ninguém acha, por isso que sou tão sozinha.. E mesmo se eu for bonita, quero mais é ser feia, se ser feia não doer tanto quanto essa dor que eu sinto.
-Que dor menina? Dor de que?
-Era dor de perda, mas eu sempre substituo uma dor grande por uma maior.
-E o que é que você botou no lugar da dor da perda?
-A dor de ser eu. E dói tanto Nina. Me ajuda!
-Não dá menina, não dá.

Dói muito ser quem você mais odeia. Mas um dia eu aprendo, eu vou ser como ela, a Nina. Eu vou.

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