terça-feira, 8 de maio de 2012

A matemática do fim


Um, dois, três, quantos?
Cinco, seis, sete, todos.
A dose certa para a dor certa.
Quanta dor?
Dor nenhuma, dor demais, nada.
A dose certa pra tudo incerto.
Tem certeza?

Oito, nove, dez(espero)
Dez(controle), dez(istir)
Desisto, outro número.
Trinta e cinco.
Trinta e cinco batidas na mesa.
Trinta e cinco no volume da tevê.
Trinta e cinco vezes checar a janela.
Doendo trinta e cinco vezes mais.

Um mais um é sempre dor
O número agora é um:
Um corte, uma corda, um tiro
Não é pra qualquer um
Uma capsula não basta
Um riso louco, uma lágrima e 
BUM
É o fim.
(E se não for?)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Diálogo de um amor inventado


Os mesmos malditos olhos, e a boca, o perfume... Ah o perfume!
- Eu vi o que você escreveu.
Aquela voz, sempre tão sutil, tão leve.
-Ah...
-Achei bonito.
-Sei.
Ele riu. Ele sempre ria quando o silêncio ameaçava aparecer.
-Sabe pra quem eu escrevi?
-Pra quem?
-Pra você.
"Tudo o que eu já escrevi foi pra você".

Um final inventado para um diálogo de amor inventado:

Lágrimas, muitas. Ela vira as costas e desce as escadas sem olhar pra trás, vai embora sem dizer uma palavra. A boca está em silêncio, a mente incessante e o coração, o coração em pedaços. Outra vez.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A menina queria ser Nina, mas a Nina não era ninguém.



-Nina?
-Oi.
-Será que você não pode me ensinar?
-O que minha querida? Ensinar o que?
-Como ser assim, tão bonita.
-E eu lá posso lhe ensinar isso? Nem de longe eu sou bonita.
-É sim, é muito, você sabe, só está tentando não me machucar.
-E isso lá tem jeito, não magoar você? Você sempre se magoa menina.
-É.
(silêncio)
-Nina?
-Oi.
-A coisa é que eu quero ser como você.
(Nina não entende, mais silêncio.)
-Nina.
-Oi menina!
-Eu quero poder ver meus ossos, bem marcados por baixo da pele, assim como os seus.
-Deus... Vai me dizer que tu achas isso bonito?
-Acho não.
-Que bom.
-Acho é lindo.
-Para com isso!
-Me diz logo Nina!
-Mas dizer o que?
-Como ser assim oras! 
-Não vou, nem posso, Deus me livre de te ver assim.
-Então deixa que eu descubro sozinha, tô tentando faz tempo sabe Nina?
-Hm...
-Ser assim não dói né Nina? Deve ser bom demais...
-Bom mesmo deve ser como você. É linda menina, linda...
-Para de querer me poupar da verdade.
-Mas tu és bonita sim!
-Ninguém acha, por isso que sou tão sozinha.. E mesmo se eu for bonita, quero mais é ser feia, se ser feia não doer tanto quanto essa dor que eu sinto.
-Que dor menina? Dor de que?
-Era dor de perda, mas eu sempre substituo uma dor grande por uma maior.
-E o que é que você botou no lugar da dor da perda?
-A dor de ser eu. E dói tanto Nina. Me ajuda!
-Não dá menina, não dá.

Dói muito ser quem você mais odeia. Mas um dia eu aprendo, eu vou ser como ela, a Nina. Eu vou.