quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Há uma tempestade dentro de mim.



Plim, plim, plim, plim. Gente passando na rua correndo, fugindo. Ansiando por suas casas, suas camas e seus telhados. Tem quem não se importe e ande sem pressa, ignorando a roupa molhada, o frio, os sapatos encharcados, as poças d’agua e os carros que passam espirrando água pra todo lado. Sinceramente, eu gosto de chuva. Mas gosto acima de tudo, do barulho da chuva. O vento, os trovões, as gotas caindo no telhado e batendo na janela. Plim, plim, plim...

Solidão combina com chuva, ou chuva combina com solidão? Tanto faz, sei que gosto de estar sozinha aqui, somente eu e minhas palavras. Eu poderia ficar assim para sempre, imagino. E os segundos tornar-se-iam virgulas, os minutos frases e as horas parágrafos. E eu preencheria tudo com palavras. Livros, revistas, jornais, listas telefônicas, mapas e documentos. Até que tudo se esgotasse e eu passasse a escrever nas paredes.

O telefone toca. Ao contrário da chuva, barulho de telefone tocando não me agrada. Meu coração dispara e o som fica ecoando na minha cabeça.  E depois... o vazio. Tutututututu. Acho que o amor é parecido com um telefone tocando – e não estranhe a comparação –  no início, corações disparados, e depois só o que resta é o vazio, a solidão. No fim, não há mais alguém do outro lado esperando por você. Não há nada.

Tututututu. Como um disco repetido, o som fica tocando na minha mente. Espero que algum dia o som mude, que haja alguma voz do outro lado, que haja ao menos  alguém do outro lado. Por enquanto não há nenhuma voz, só o barulho da chuva – que cai mais devagar agora – e o vazio ecoando na minha mente.

Plim-plim-plim-tu-tu-tu...

Um breve silêncio e eu reparo: a chuva parou.


sábado, 3 de setembro de 2011

Enquanto o amor não chega


- Me diz como voltar?
- Pra mim?
- Não, pra ela.
- Ah...
- Desculpa.
- Não, está tudo bem. Eu só achei que você seria uma boa pessoa pra preencher esse vazio que deixou.
- Que eu deixei?
- Não. Que ela deixou.
- ...
- É estranho isso não é? Essa coisa de sempre ter que haver outras pessoas. Porque não pode simplesmente ser só eu e você, você e ela, eu e ela?
- Não sei.
- Alguém tem que sofrer, alguém tem que ficar de fora. Acho que é por isso.
- Acho que não.
- É sim. E engraçado, esse alguém acaba sendo sempre eu.
- Me desculpa.
- Não. Tudo bem. Eu já me acostumei.
- Tudo bem mesmo?
- Não. Nunca está. Mas eu já me acostumei.

Todo carnaval tem seu fim e já passou meu carnaval.



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Eu disse que não ia passar


Eu lutei por um tempo, tentando não escrever mais nada sobre você. Eu tinha me prometido que não escreveria. Eu tinha jurado que não pensaria, nem sentiria mais sua falta.

Mas é que hoje eu sonhei com você.

E você estava lá, tão linda, sorridente e desajuizada com sempre esteve. E eu que pensava ter te esquecido, me peguei um milhão de vezes, o dia todo pra ser sincera, recordando o sonho e seu rosto nele. Me doeu muito saber que dessa vez, eu te perdi, pra nunca mais ter de volta. Você se foi pra nunca mais voltar.

E eu que reclamava das suas idas e vindas sem aviso, hoje daria tudo pra te ver voltar e bater na minha porta sem que eu esperasse. Acho que eu daria tudo, absolutamente tudo, só pra te ver voltar. Sentir aquele silencio constrangedor que sempre ficava quando a gente se encontrava, eu reclamava, mas aproveitava esse tempo pra olhar seus olhos, seu rosto, sentir seu cheiro de perto - eu me recordo de seu perfume até hoje e senti-lo me dispara o coração - e ouvir sua respiração e os sons dos seus passos ao meu lado.

É minha querida, eu não te esqueci, nunca vou esquecer, mas você nunca se lembrou. Eu não queria, não queria mesmo sentir sua falta ou sorrir por ver a sua droga de sorriso-mais-lindo-do-mundo em um sonho, mas eu sinto - e sinto tanto - a sua falta, e seu sorriso... Ah o seu sorriso, sempre vai me fazer sorrir.

Tudo isso dói, de uma maneira que eu nunca pude imaginar que doeria. Dói tanto que eu tentei amenizar, colocar alguém em seu lugar, uma outra. Não funcionou, não cabe mais ninguém aqui dentro de mim. O amor  (a dor) ocupa todo, amor (dor) que não passa e não vai passar. Passou você, foi e me deixou aqui.
E dói...

Um pedido final:
Volta.