terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um breve dialogo sobre (o amor) a dor



Ela: Eu não costumo chorar, sabia?
Ele: Hum...
(Silêncio, algumas lágrimas.)
Ela: Eu só queria saber como é estar do outro lado, sabe? Queria ser o motivo do sorriso, o alvo da espera, o pensamento antes de dormir. Só isso.
(Silêncio novamente. Muitas lágrimas)
Ela: Dói, infinitamente. Toma conta de você, e você não consegue evitar. Está doendo agora, doendo muito.
Ele: O amor?
Ela: O vazio. O vazio que o amor deixa quando vai embora. Essa coisa, não sei o que é.
Ele: Solidão?
Ela: Não, mas tem a ver com ela. Quando você ama sozinho, o amor costuma deixar cicatrizes.
Ele: Cicatrizes as vezes doem.
Ela: Não. Machucados doem, aqueles que não cicatrizam e ficam lá, doendo e doendo. Amar sozinho machuca e não cicatriza.
(Eles se olham, ele sente algo, algo doendo dentro dele)
Ele: Dói mesmo.
Ela: É.
Ele: Acho melhor se acostumar. Dói desde que... bem, só dói e parece que não pretende melhorar.
Ela: Antes dor do que vazio.
Ele: É. Eu preenchi meu vazio.
Ela: Como?
Ele: Com mais dor.
Ela: Ah...
Ele: Antes dor do que vazio.
Ela: É.
(Sorriram. Continuou doendo. Não cicatrizou.)

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