quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Um delírio de amor

Eu estou aqui, por você e só por você. Eu me importo com o que você sente. 
Airosa. Nenúfares. (Elas me fazem sorrir, as palavras, espero que contigo tenham o mesmo efeito.)
 E que se foda o resto.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

(Re)começar


- Belos olhos.
- É, são verdes.
- Seu nome?
- Marjorie, mas eu odeio, prefiro Meg.
- Vem sempre aqui?
- Não. Não moro na cidade.
- É de onde?
- De onde eu quiser ser e se eu gostar de você, posso ser de um lugar que você goste.
- Gosto da lua.
- Então, eu vim de lá.
- Sei. De onde é? Mesmo.
- De onde eu quiser, já disse. Não importa muito de onde eu venho, se não sei pra onde vou.
- Acho que você tem razão. Seu nome é mesmo Marj... Meg?
- Hoje? Hoje é. Se me perguntasse ontem, eu diria Julia e se me perguntar amanhã... eu estive pensando em Kate.
- E o que você faz?
- No momento, eu procuro alguém, alguém que me traga de volta pra vida.
- Só hoje?
- Não. Isso eu faço desde que me entendo por gente, todos dias, seja qualquer for meu nome e minha origem, sempre estive nessa busca.
- E eu posso te acompanhar?
- Não vou pode te ajudar, não posso trazer ninguém de volta pra vida.
- Só você mesma.
- ....
- E o que você quer da vida?
- Saber.
- O que?
- Como é estar do lado de dentro do amor. Eu sempre estive do lado de fora, pelo menos do amor das pessoas. É como se eu não fosse bem vinda no coração delas.
- Isso dói.
- E é errado. Não entendo porque elas tomam conta de mim e me deixam do lado de fora de seus corações. Custa muito elas me deixarem entrar? Eu sempre tentei tanto... Já fui tanta gente, e nunca, como Meg, Julia ou Kate, nunca me deixaram entrar.
- Tem um problema com você.
- Eu sei que tem. Deve mesmo ter. Você foi a primeira pessoa a dizer isso, mas tem razão.
- É um problema bom.
- Isso existe?
- Eu acho. Você é doce demais, não parece, mas eu percebo isso. E tem um medo enorme nos seus olhos, de ser quem você é e não ser aceita. Talvez as pessoas percebam isso, talvez elas não queiram magoar você.
- Talvez elas sejam realmente más, somente más. Sejam essas coisas, essas máquinas de iludir e magoar.
- É. Talvez.
- Você já esteve do lado de dentro do amor?
- Nunca. Deve ser boa a sensação.
- Deve. Ao menos melhor do que a sensação de estar do lado de fora. Porque essa, é terrível.
- Talvez não seja grande coisa.
- Não sei. Nunca estive, nem você. Um dia a gente descobre.
- É.
- Mudando de assunto, sabe de uma coisa? 
- Hm.
- Meu nome é mesmo Marjo... Meg. Não menti pra você, nem um segundo nessa conversa. Nem sequer um segundo.

Just people can save people, but just you can save yourself.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um breve dialogo sobre (o amor) a dor



Ela: Eu não costumo chorar, sabia?
Ele: Hum...
(Silêncio, algumas lágrimas.)
Ela: Eu só queria saber como é estar do outro lado, sabe? Queria ser o motivo do sorriso, o alvo da espera, o pensamento antes de dormir. Só isso.
(Silêncio novamente. Muitas lágrimas)
Ela: Dói, infinitamente. Toma conta de você, e você não consegue evitar. Está doendo agora, doendo muito.
Ele: O amor?
Ela: O vazio. O vazio que o amor deixa quando vai embora. Essa coisa, não sei o que é.
Ele: Solidão?
Ela: Não, mas tem a ver com ela. Quando você ama sozinho, o amor costuma deixar cicatrizes.
Ele: Cicatrizes as vezes doem.
Ela: Não. Machucados doem, aqueles que não cicatrizam e ficam lá, doendo e doendo. Amar sozinho machuca e não cicatriza.
(Eles se olham, ele sente algo, algo doendo dentro dele)
Ele: Dói mesmo.
Ela: É.
Ele: Acho melhor se acostumar. Dói desde que... bem, só dói e parece que não pretende melhorar.
Ela: Antes dor do que vazio.
Ele: É. Eu preenchi meu vazio.
Ela: Como?
Ele: Com mais dor.
Ela: Ah...
Ele: Antes dor do que vazio.
Ela: É.
(Sorriram. Continuou doendo. Não cicatrizou.)