quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Um cinzeiro, uma xicara e um amor que nao deveria ser.


Ela desviou o olhar fingindo distrair-se com a xícara de café a sua frente. Gostaria de ter fugido, não pôde. Não que estivesse trancada, pelo contrario. A livraria visitada por ela diariamente durantes seus momentos de folga, era espaçosa e ventilada por enormes janelas, estilo antigo que permitiam-na observar toda a cidade de cima. Ver sem ser vista. Isso, foi tudo o que ela desejou quando sua bela Cat atravessou a entrada do local, trazendo consigo todo aquele perfume adocicado e seu sorriso perfeito. O mesmo sorriso que se desfez quando, finalmente, os verdes encontraram os azuis e as duas se afogaram numa imensidão de água. Mar e rio.

Cat gostaria de ter virado as costas e saído dali, mas, assim como as de Francesca, suas pernas postaram-se incapazes de fazer qualquer movimento que afastasse-as. Encaminhou-se sem entender muita coisa, até a pequena mesa redonda sob a qual repousavam um cinzeiro e uma xícara fumegante de café forte.

 - Posso? – Perguntou à Francesca, que apenas movimentou a cabeça quase imperceptivelmente.

Sentou-se devagar na pequena cadeira de madeira nobre e não atreveu-se a olhar novamente para os olhos azuis dela. Não era preciso. Sabia que eles estariam ansiosos por um pequeno momento de frieza e logo inundar-se-iam em lágrimas. 
Após um breve instante de silencio, uma voz doce cortou o ar. Tão grande quanto sua doçura, era a tristeza que emanava dela.

- Porque você se foi, Cat? – Pronunciar o nome dela despertava centenas de memórias em sua mente.
E como ela tinha lutado para adormece-las.

- Eu não estava pronta pra você Frankie, não te merecia.

- Eu achei que você tinha me conhecido bem demais e descoberto que não era nada do que esperava.

- Não! – interrompeu Cat – Você era perfeita Frankie, por isso eu fui embora. Foi um erro terrível achar que merecia algo de você.

- E isso importa? Importa se você merecia?
 
- Eu ... – Não importava. Agora ela sabia que não.

- É claro que não importa Cat. Você teve tudo o que quis de mim, pegou tudo o que conseguiu arrancar e isso é o que importa.

- Eu amava você Francesca. E eu ... – Cat não teve tempo de terminar.

- E eu não amava Cat? – Finalmente os olhos se renderam e encheram-se de densas lagrimas que mancharam sua maquiagem quase sempre impecável.

- Eu ainda te amo Frankie. – Ela sussurrou.
  
E finalmente atreveu-se a olhar nos olhos de Francesca e mais, a enxugar suas lágrimas com um toque carinhoso de suas mãos.
­ 
- Não deveria amar, mas amo. – completou Cat.

- Quando é que você vai aprender que nem tudo é como deveria ser?
 
- Quando você disser que me perdoa, mesmo que eu não mereça.

Francesca suspirou.

- Não Cat, eu ainda não estou pronta pra isso. Não sei se consigo.

Cat cerrou os olhos por alguns segundos e levantou-se em direção a porta. Para sua surpresa Frankie segurou seu braço tentando impedir que ela se fosse.

- Mas tem uma coisa, para a qual eu sempre estive pronta, mesmo que não devesse. - Anunciou ansiosa.

- E o que é?
 
- Amar você Cat.

Ela não deveria dizer isso depois de tudo o que acontecera, mas ora, nem tudo é como deveria ser. 
Cat sorriu tão intensamente, que beirou uma leve risada. Selou, enfim, os lábios de Francesca. A sua Francesca. Talvez ela ainda não se achasse pronta pra aquilo tudo, mas pela primeira vez na vida, Cat foi capaz de ignorar sua mente e ouvir seu coração.

Nenhum comentário:

Postar um comentário