sábado, 11 de dezembro de 2010

A fada da noite de ontem


A toque da melodia lenta ela movimenta o corpo magro com delicadeza. A cintura fina se mexe ao ritmo da música que ela sussurora levando nos lábios um leve sorriso, aparentemente tão doce quanto o mel saído das colméias da floresta aonde ela habita. 

As pernas, de pele branca como os lírios tocados nas arvores por três vezes na intenção de invoca-la retirando-a de seu ritual de beleza, quando ela penteia lentamente os cachos dourados como seu pente de ouro, movimentam-se quase imperceptivelmente.

Seus olhos verde esmeralda se fecham as vezes e ela entra numa espécie de transe, balançando os cabelos claros seguindo a batida da música, agora mais rápida, eles formam uma cortina tenra sob seu rosto inumano, seu nariz estreito perfeitamente desenhado, os lábios finos, corados e as bochechas levemente saltadas e rubras.

A melodia lenta torna-se uma balada agitada, ela sorri com a mesma leveza porém mais intensamente, tem dentes brancos, perfeitos e lança o corpo pra frente em algumas risadas tímidas. Movimenta os braços fazendo desenhos no ar, os ombros nus e os seios cobertos por tecido floral balançam para frente e para trás.

Ela ri pela ultima vez, me pega pela mão e ao abrir os olhos sorrio. Uma imensidão de água muito clara me cerca e o fundo do lago é meu destino. O lago de Aine.

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