sexta-feira, 26 de novembro de 2010

For my dear John


Escrevo-lhe novamente, dessa vez outra carta, proveniente de outros sentimentos, não tão belos quanto outrora, porém mais sinceros e demasiadamente mais reais.Sem pressa,sem fazer o uso de segunda pessoa porque acho que tenho todo o direito de chama-lo de você, nem de excessivos drama e falsidade apenas para agradar-lhe e dar-lhe a falsa esperança de que ainda te amo e ainda espero por ti. Não amo e nem espero. Surpreso? O mesmo aconteceu comigo ao fazer tal descoberta, aliás faço questão de acrescentar um pequeno detalhe, nunca te amei, nem te esperei. Não, definitivamente não por esse ser que você se tornou, isso que eu tanto desprezo.Essa coisa egoísta, sem rumo e vazia que vaga pelas ruas exalando tabaco barato e feminilidade forçada,ridícula.

Talvez, John, você – veja só, quase o chamo de tu, mas lembrei-me a tempo que não merece tal tratamento – sempre tenha sido tudo isso que descrevo com asco e talvez, apenas talvez, um mínimo de pena. Talvez essa criatura asquerosa estivesse dentro de você o tempo todo, me espionando com seus olhos de fogo e esperando o momento certo para colocar suas garras de fora. E que garras tem essa criatura John!
No inicio, elas me dilaceraram, arrancaram cada pedaço de minha carne expressando um misto de fúria e prazer. Depois elas foram se acalmando, não havia restado nenhum pedaço de mim para arrancarem, desistiram por um breve momento, o mesmo momento em que eu me recompus e me levantei e te deixei para trás num passado de opostos.

Sabe John talvez eu esteja sendo dura demais nessa tentativa não consumada de vingança, desculpe-me por isso. Eu sei, é claro que ninguém jamais será capaz de lhe fazer tanto mal quanto você mesmo fez. Ora John, você sabe melhor que ninguém o tamanho desse mal e sabe também que ele é irreversível. Não é questão de pessimismo ou falta de fé, mas para mim John, você jamais será a mesma pessoa e por isso, me sinto muitíssimo confusa. Para quem, eu realmente escrevo? Para John, que leria essas palavras, far-se-ia de difícil, soltaria alguns resmungos e depois adormeceria pensando nelas? Para o ser que exclamaria uma dúzia de expressões vazias, palavrões e depois se sufocaria em cigarros?

È, não falo com John, ele jamais precisaria ouvir essas palavras. Falo com o ser, a criatura de garras que dilaceram. Foi um enorme desprazer conhece-la, maldita e por obsequio, mande lembranças ao John.Ao meu querido John.

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