sábado, 25 de dezembro de 2010

Jovem insônia


Gosto dos jovens, logo, gosto de mim. Adoro toda essa energia e essa falta de juízo que emana deles.Me enlouquece essa inconsequencia e essa capacidade tão rara de preocupar-se com o agora e somente com isso. Gosto da insanidade que corre em suas veias, insanidade essa que os faz tão humanos, tão intensos e que é capaz de alcançar os mais selvagens instintos guardados nas grades de suas peles tatuadas.
Gosto especialmente dos que cheiram a vodka e a marijuana. Gosto do olhar deles quando chega a madrugada e eles a fazem dia. Jovens assim controlam o tempo, tomam a noite em suas mãos e multiplicam o brilho das estrelas as fazendo um sol. Ou simplesmente as deixam lá e torcem pra que elas se apaguem, porque no escuro é bem melhor.

sábado, 11 de dezembro de 2010

A fada da noite de ontem


A toque da melodia lenta ela movimenta o corpo magro com delicadeza. A cintura fina se mexe ao ritmo da música que ela sussurora levando nos lábios um leve sorriso, aparentemente tão doce quanto o mel saído das colméias da floresta aonde ela habita. 

As pernas, de pele branca como os lírios tocados nas arvores por três vezes na intenção de invoca-la retirando-a de seu ritual de beleza, quando ela penteia lentamente os cachos dourados como seu pente de ouro, movimentam-se quase imperceptivelmente.

Seus olhos verde esmeralda se fecham as vezes e ela entra numa espécie de transe, balançando os cabelos claros seguindo a batida da música, agora mais rápida, eles formam uma cortina tenra sob seu rosto inumano, seu nariz estreito perfeitamente desenhado, os lábios finos, corados e as bochechas levemente saltadas e rubras.

A melodia lenta torna-se uma balada agitada, ela sorri com a mesma leveza porém mais intensamente, tem dentes brancos, perfeitos e lança o corpo pra frente em algumas risadas tímidas. Movimenta os braços fazendo desenhos no ar, os ombros nus e os seios cobertos por tecido floral balançam para frente e para trás.

Ela ri pela ultima vez, me pega pela mão e ao abrir os olhos sorrio. Uma imensidão de água muito clara me cerca e o fundo do lago é meu destino. O lago de Aine.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Marianne


Marianne está sentada em sua cama, o colchão está sem lençol pois ela o retira e o derruba no chão todas as noites, sempre agitadas, quando ela vira de um lado para outro tentando afastar certos pensamentos.Ela segura o seu velho violão preto com a pintura descascada e cordas quase arrebentando com firmeza, os dedos rápidos tocam uma melodia simples que ela já decorou. È a oitava vez que toca aquela música, composta por ela, para Ela.

Está sozinha como quase sempre, porque Marianne nasceu com um buraco no peito. Ela não sabia disso até reler um certo livro que a dizia para continuar.

 – GO, Marianne!GO! – dizia o livro.

Marianne foi e descobriu que aquela sensação que a acompanhava desde que ela se dava por gente era um vazio que nascera junto com ela e que a fazia parecidíssima com o personagem do livro. O livro não dizia seu nome e Marianne gostava disso. Sem rótulos.Nenhum sequer.

O vazio fala alto em seu peito agora e a única pessoa que fora capaz de cura-lo, mesmo que temporariamente e sem intenção de faze-lo, está longe, ou talvez perto. Marianne não sabe aonde se esconde a garota de  lábios de fogo, a personagem principal de seu pequeno poema transformado em música – sim, aquela música que ela toca agora, pela nona vez. Isso só aumenta a distância entre elas. Oh sim! Elas. Um casal incomum esse meu, não?

Marianne concentra-se nas pequenas lembranças que guarda de Jacqueline e concentra-se também na música, ajuda-a a não se perder, mas ela sempre se perde. As lembranças mostram o rosto de Jacqueline, os olhos de ouro, a pele de veludo, as estrelas pelo corpo. A cada mudança de acorde o vazio parece tomar conta de Marianne e ela sente vontade de chorar. Não consegue. Ela está fadada a não chorar. Mesmo que doa uma dor insuportável, que sinta uma raiva incontrolável Marianne não derrama uma lágrima sequer.

– The damn don't cry. – “A maldição de não chorar”, sussurra Marianne lembrando-se de uma de suas músicas preferidas.

Larga o violão encima da cama, pega caneta e papel. Caminhando para o velho hábito de dialogar com suas palavras, quando lhe faltam seus amigos – se é que ela os tem.
È um monólogo pra qualquer outra pessoa, para Marianne não. Há duas pessoas ali, ou ao menos dois lados. Palavras pensadas versus palavras escritas.

Os dedos ágeis guiam a caneta já falha graças a seu uso constante, Marianne só usa aquela para seus escritos. Tem a ponta mastigada, fruto dos momentos de falta de inspiração ou nervosismo, quando as idéias não concordam em se aquietar. As palavras fluem e tem ritmo, como outrora Marianne sonhara.

Se antes lutava para não se perder, agora constrói o caminho que leva a isso. Suas palavras criam encruzilhadas, seus parágrafos becos sem saída, as frases formam labirintos. Marianne adora tudo isso.

Enquanto procura a saída, ela consegue se esquecer.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Jacqueline

Jacqueline has golden eyes. 
Jacqueline has hair of coal. 
Jacqueline has lips of fire. 
Jacqueline has the world in hands. 

Jacqueline has stars in body. 
Jaqueline has velvet on skin. 
Jacqueline is the perfect temptation. 
 Jacqueline stole my heart.
 
Hey Jacque, come with me 
Touch me with your velvet skin 
Smack me with your fire lips 
Let me see
Let me see stars

Hey Jacque, pull me
Show me your world 
Because that's where I want to be
Jacqueline.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

For my dear John


Escrevo-lhe novamente, dessa vez outra carta, proveniente de outros sentimentos, não tão belos quanto outrora, porém mais sinceros e demasiadamente mais reais.Sem pressa,sem fazer o uso de segunda pessoa porque acho que tenho todo o direito de chama-lo de você, nem de excessivos drama e falsidade apenas para agradar-lhe e dar-lhe a falsa esperança de que ainda te amo e ainda espero por ti. Não amo e nem espero. Surpreso? O mesmo aconteceu comigo ao fazer tal descoberta, aliás faço questão de acrescentar um pequeno detalhe, nunca te amei, nem te esperei. Não, definitivamente não por esse ser que você se tornou, isso que eu tanto desprezo.Essa coisa egoísta, sem rumo e vazia que vaga pelas ruas exalando tabaco barato e feminilidade forçada,ridícula.

Talvez, John, você – veja só, quase o chamo de tu, mas lembrei-me a tempo que não merece tal tratamento – sempre tenha sido tudo isso que descrevo com asco e talvez, apenas talvez, um mínimo de pena. Talvez essa criatura asquerosa estivesse dentro de você o tempo todo, me espionando com seus olhos de fogo e esperando o momento certo para colocar suas garras de fora. E que garras tem essa criatura John!
No inicio, elas me dilaceraram, arrancaram cada pedaço de minha carne expressando um misto de fúria e prazer. Depois elas foram se acalmando, não havia restado nenhum pedaço de mim para arrancarem, desistiram por um breve momento, o mesmo momento em que eu me recompus e me levantei e te deixei para trás num passado de opostos.

Sabe John talvez eu esteja sendo dura demais nessa tentativa não consumada de vingança, desculpe-me por isso. Eu sei, é claro que ninguém jamais será capaz de lhe fazer tanto mal quanto você mesmo fez. Ora John, você sabe melhor que ninguém o tamanho desse mal e sabe também que ele é irreversível. Não é questão de pessimismo ou falta de fé, mas para mim John, você jamais será a mesma pessoa e por isso, me sinto muitíssimo confusa. Para quem, eu realmente escrevo? Para John, que leria essas palavras, far-se-ia de difícil, soltaria alguns resmungos e depois adormeceria pensando nelas? Para o ser que exclamaria uma dúzia de expressões vazias, palavrões e depois se sufocaria em cigarros?

È, não falo com John, ele jamais precisaria ouvir essas palavras. Falo com o ser, a criatura de garras que dilaceram. Foi um enorme desprazer conhece-la, maldita e por obsequio, mande lembranças ao John.Ao meu querido John.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Reencontro


Janine chega ao ponto de ônibus apressada, a respiração ofegante, mas a maquiagem e o cabelo ainda impecáveis. Deixa a mochila no chão para aliviar o peso das costas, sorri pelo ônibus ainda não ter passado e encosta-se na parede com um joelho dobrado, repetindo uma rotina de anos, esperando pelo ônibus azul e branco que surge na esquina e faz quase sempre o mesmo trajeto, levando quase sempre pessoas parecidas.Então ela desvia o olhar despreocupada para o lado e depara-se com uma visão que a arrepia e faz com que seu coração mude o ritmo imediatamente.

Ela poderia apenas olhar para o outro lado como sempre fazia quando alguém juntava-se a ela na espera do ônibus, mas aquele senhor de roupa social era o retrato perfeito de alguém que ela muito amava. Em um primeiro instante ela teve vontade de abraça-lo, de aproximar-se dele e perguntar como era do outro lado, de dizer que não sentia sua falta pois tinha consciência de que ele continuava ali, ao seu lado, quietinho, esperando o momento certo para aparecer e soltar aquela risada rouca e cansada, acompanhada por um típico canto de sabiá – seu pássaro preferido.

Ela apenas desviou o olhar para frente momentaneamente, e sem resistir a tentação olhava para o senhor inúmeras vezes e a cada olhada rápida, um detalhe revelava a semelhança. O corpo magro coberto por uma pele muito clara e enrugada, os dedos longos e finos, o pulso coberto pela camisa social azul – a sua cor preferida, talvez – o nariz grande fruto da descendência italiana, o cabelo acinzentado penteado pra trás e até a voz. A mesma voz confusa e muito baixa, seqüela do derrame que o levara a ficar por anos na cama e a falecer.Os olhos...Ah os olhos! Ela não arriscou-se a olhar para eles, pois se fossem do mesmo azul intenso dos olhos do avô, ela começaria a chorar ali mesmo.

– Não passou ainda não né? – disse com voz confusa o senhor, tais palavras não seriam entendidas por pessoas comuns, mas Janine aprendera a entender cada palavra e cada gesto do avô, idênticos aos do senhor.

– Não, ainda não. – respondeu com dificuldade, olhando sorrindo para o senhor.

– Eu vou para o Pronto Socorro, moro pertinho de lá.Fui buscar uns remédios para a minha filha – disse ele, a garota apenas tentou dizer alguma coisa mas não obteve sucesso.

O ônibus finalmente virou a esquina, Janine olhou para o senhor que se aproximava da calçada:

– O senhor chegou bem na hora! – disse ela baixinho, ele riu. A mesma doce e rouca risada do avô, o coração dela apertou seu peito, algumas pequenas lagrimas brotaram de seus olhos verdes mas ela as enxugou e subiu no ônibus sem olhar pra trás.

Um final inventado

– O senhor se parece muito com meu avô.Muito. – ela disse finalmente cedendo a vontade, ele riu, lagrimas brotaram dos olhos dela e ela subiu no ônibus assim mesmo.
E fez seu trajeto observando as mesmas paisagens rotineiras, distraída, ao invés de escrever textos nas paginas de sua mente.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Como um beija flor...


Cansado de concluir sozinho o motivo de tal sorriso constantemente estampado na face da garota de aspecto inocente, com seus cachos de bronze e pele de porcelana, decidiu sentar-se ao seu lado, no velho e típico banco de praça, no qual ela se acomodava diariamente, tirando os dias de chuva, quando ela se escondia nas marquises e perguntar:

– Porque sorri, menina?

– Por que estou feliz, moço.

– Feliz porque?

– Gostar, gostar muito de alguém.

– Ah não! Se é por gostar de alguém é alegria, que passa rápido como beija flor assustado.

– Tão rápido que a gente nem consegue lembrar?

– Desse jeitinho.

– E que deixa a gente pensando que devia ter feito diferente, chegado mais devagar pra não assustar o bichinho.

– Sabe mais do que eu imaginei, menina.

– Dói isso seu moço, esse achar que se fizesse diferente, o beija flor podia tá aqui ó, na palma da mão.

– È, podia. Agora pense que nosso beija flor não é mais alegria, agora é esse alguém de quem tu gostas. E se ele for como tu?

– Como eu, como?

– Se ele achar que pode lhe assustar se chegar muito perto?

– Como pode, um beija flor, tão lindo, tão inofensivo me assustar?

– E como pode, menina tão bonita, tão sabida de sentimentos como tu, assustá-lo?

– Não sei não moço. Se eu chegar muito perto, olhar muito, sorrir demais, ele pode achar que eu quero ele pra mim. Pode achar que eu quero tirar dele as flores, os perfumes e prender ele na gaiola.

–  E tu não queres isso não, menina?

– Claro que não moço! Quero só ter ele por perto, pra ver direitinho, sentir o macio das penas, ver os pequenos olhinhos e depois ele pode ir, que eu vou ficar lá, esperando ele voltar com uma flor no bico, de presente pra mim.

Levantou-se sem dizer nada com um traço úmido no rosto pálido que partira de seus olhos tristes. Sorriu para a garota no banco e deixou-a ali, esperando por seu beija flor com o coração embebido em mel.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Memórias


Era um salão muito grande, as paredes cobertas de tapeçarias que retratavam uma vida muito rica e nobre, o chão coberto por um carpete azul marinho, muito antigo mas ainda impecável.Cabelos em cachos vermelhos como fogo caiam até as costas da pianista que movia os dedos devagar, dando vida a uma melodia simples, que seria apenas um conjunto de notas espaçadas sem o som do violino manejado com destreza pelo homem magro.Tinha olhos azuis muito vivos, pele morena queimada de sol e cabelos loiros e lisos penteados pra trás.Os olhos se fechavam quando a melodia chegava ao auge e ele podia enxergar as notas a sua frente, a partitura dançando ao som de sua concretização.Sorria, mostrando dentes perfeitamente enfileirados e lábios finos, trêmulos, tamanha sua concentração.

Os dois jovens ensaiavam para o baile que ocorreria naquela noite.Logo eles não estariam mais sozinhos e a musica não seria destaque, perderia seu espaço para os decotes preenchidos por seios fartos, vestidos brilhantes de cores vivas e homens com seus ternos finos falando de negócios.Os dois, Ana e Romeu, faziam questão de fazer contato com a musica antes das apresentações, de estar sozinhos para que quando o salão se enchesse, eles pudessem se acalmar, fechando os olhos e pensando nas lembranças daquele momento em que eram somente eles e a musica.
Por um momento em especial, quando as músicas já estavam decoradas e eles já não se importavam com nada, além da melodia em seus ouvidos e o baile das notas musicais, os dois fecharam os olhos ao mesmo tempo e tiveram uma mesma visão.

As cores do salão pareciam ainda mais vivas e o tapete ainda mais novo,as faces na tapeçaria, fitavam um casal muito belo que dançava sozinho, indo de um lado para o outro de olhos fechados.Um pequeno grupo de músicos tocava a mesma música que eles tocavam quando a visão se iniciara.O homem, vestido com terno escuro,azul como seus olhos, porém descalço ,tinha as mãos repousadas sobre a saia armada da mulher, de tecido vermelho vibrante, assim como seus cabelos.Os dois sorriam e pareciam ser um mesmo ser, tamanha a precisão de seus movimentos, sempre compassados, o que fazia parecer que até mesmo seus corações batiam no mesmo ritmo.

Parecia não ser uma ocasião especial, o casal dançava como se aquela, fosse a sua maneira de expressar o amor.No exato momento em que a música terminou, eles abriram os olhos, uniram os lábios, Ana e Romeu abriram os olhos e se entreolharam como se aquela visão, fosse uma lembrança.Ana poderia dizer exatamente qual era o cheiro do homem de olhos azuis e Romeu, sabia exatamente a textura da pele da ruiva.Era como se eles já tivessem vivido aquilo tudo e sem saber porque, sentiam uma dor ao lembrar-se de tudo.Sabiam que aquele casal, não teria um final feliz.

Ana buscou em suas lembranças, na lembrança de sua alma e pode ver aquela mesma mulher, ainda viva, outrora de vestido vermelho, vestida de preto, naquele mesmo salão.Sozinha, ela sussurrava a mesma melodia que dançara com seu amado, girava pelo salão, como se ele ainda estivesse ali.E parecia mesmo que estava, seu cheiro, seu calor ainda pareciam acolhe-la e guia-la pelo salão.
Romeu viu os olhos azuis se fecharem lentamente e uma taça de vinho caindo com um tilintar agudo e mortal, no chão de madeira lustrada.Viu também o sorriso do inimigo que o envenenara e sua amada dançando sozinha no velho salão de bailes.Viu a música se calando e dança tendo um fim.

Depois de voltarem a realidade, sorriram satisfeitos por terem novamente, dado vida a música que unira o casal, por mais de uma vez como eles tinham acabado de descobrir.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sobre aquele que tinha asas mas não queria voar

Por quantas vezes havia sonhado com aquele momento.Inúmeras foram as noites em que ele, sem saber como, sentiu o vento subindo enquanto ele descia.O vento que balançava os cabelos curtos.O vento que abafava os sons da rua lá embaixo.O vento e nada além disso.
Haveria um impacto se passasse de um sonho?Não, não haveria.Passou de um sonho e assim ele soube.Descobriu que antes mesmo de seu corpo impactar com a calçada esburacada lá embaixo, ele partiria.
Quando foi real, ele apenas deu um passo a frente.Por alguns instantes, repetiu mentalmente a frase que repetira todo o caminho.A mesma frase que guiara o caminho, indicava o fim e encorajava a dar um passo a frente.Um último passo em direção ao céu.É apenas um sonho e logo eu vou acordar.Quando acordar, mesmo sem ter asas eu poderei voar, pois quando eu as tive, não queria.
Ele tinha asas.Ah, sim, tinha.Enormes asas brancas e leves.Só não voou pois não queria.Não se atreveu a movê-las.Queria cair.Queria dar um passo em direção ao céu e cair.Ele poderia voar se quisesse.Poderia tocar as nuvens e desaparecer no imenso azul.Poderia ver seus olhos refletindo o brilho dos raios.Poderia ter seus gritos abafados pelos trovões.Poderia contar as estrelas de perto.Poderia colher a primeira gota de chuva.Poderia, mas caiu.Queria cair.
Quando acordasse, do ilusório sonho, poderia voar sem ter asas e adoraria essa oportunidade de quebrar as regras. De fazer sem poder. De voar sem ter asas.
Ilusão...Ele sabia que não passava disso, mas no momento do último passo, ele acreditava nela com todas as forças que lhe restavam.Quando desejamos algo com todas as forças, estamos a um passo de torná-lo real.
Ele arriscou-se a descobrir se a frase, funcionava no sentido literal.Por isso, e nada mais, ele poderia ser lembrado como corajoso.Porém, ninguém soube que ele correu esse risco e hoje, conhecem-no como covarde.Grande erro do mundo, esse.